Nossa cidade, como todos sabem, é referência quando o assunto é desenvolvimento, fabricação ou comercialização de tecidos e peças para o vestuário. Brusque recebeu o top of mind de 2009, como cidade mais lembrada no segmento "cidade têxtil". Esse prêmio reforça a tradição da cidade e também sua dependência em relação aos produtos têxteis. Vejamos como anda o setor.
Santa Catarina, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção – ABIT foi o único estado a apresentar crescimento nas vendas da categoria tecidos, vestuários e calçados, no acumulado até julho de 2009, com 2,01% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em comparação a média brasileira foi uma queda de 6,18%. Por outro lado, a produção têxtil em Santa Catarina apresentou variação negativa de 7,28%, enquanto no Brasil a queda foi de 10,41%. A queda da produção é explicada pela aversão ao risco dos empresários do setor devido à crise. No entanto, como o comércio foi muito aquecido por estímulos do Governo Federal, já é possível observar a retomada da produção de vários itens.
O volume de entrada e saída de dólares, referente às exportações e importações de têxteis, também ajuda a entender a dinâmica do setor. O volume exportado em dólares, no período de janeiro a setembro de 2009 acumulou US$1,29 bilhões contra US$1,72 bilhões do mesmo período de 2008, queda de 24,70%. O maior comprador dos produtos têxteis brasileiros no período foi a Argentina e em segundo lugar os Estados Unidos. As importações somaram US$2,48 bilhões no período contra US$2,92 bilhões do período anterior, uma queda de 17,74%. A China, ainda incomoda com seus produtos têxteis competitivos, de lá vieram 39% das importações no período analisado. A balança comercial (diferença entre exportações e importações) negativa do setor se deve ao câmbio valorizado no Brasil e, sobretudo a crise que afetou os compradores no exterior.
Entretanto, a recente iniciativa do Banco Central do Brasil de aumentar o IOF para investimentos estrangeiros especulativos, traz alguma esperança aos exportadores. O real em tese se desvaloriza com essa medida, e os preços de produtos brasileiros se tornam mais competitivos no exterior. No entanto, ainda temos taxas de juros altas e o investidor estrangeiro sem muitas opções disponíveis considera muito atraente aplicar no Brasil, mesmo com a tributação.
Os Estados Unidos, um importante parceiro comercial dos têxteis brasileiros e do mundo, apresenta sinais de recuperação com crescimento do PIB. A economia norte-americana cresceu a uma taxa anualizada de 3,5% no terceiro trimestre de 2009. Ainda é cedo para dizer se eles irão aquecer a economia mundial com seu crescimento. Das variáveis do PIB americano que apresentaram crescimento estão o consumo das famílias, os investimentos em estoques e o investimento em construção civil. Contudo, dos três componentes listados acima, dois foram alvos de programas de estímulo do governo, o que deixa a dúvida no ar: como será o comportamento da economia após o fim dessas políticas? Nós dependemos e muito da recuperação americana.
